Mas oque são exatamente estes 7 chakras?

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Mas o que são exatamente estes 7 Chakras?

Chakras são vórtices 7 circulares de energia (ou às vezes retratado como flores com pétalas) a partir de seu osso da cauda, e terminando no topo da cabeça. Eles são os pontos focais de sua força vital, ou prana e seus estados individuais são vitais para o seu bem-estar holístico.

Considere isto, se todos nós somos seres energéticos de potencial ilimitado, por que nós enfrentamos desafios em muitos aspectos de nossas vidas? Por que nossos relacionamentos, finanças, carreira e vida sexual, às vezes dão errado?

A resposta pode ser que o Chakra controlar esta parte da sua vida é disfuncional, o que significa que o seu trabalho para fortalecê-la.

Hoje, mais e mais pessoas estão percebendo que a antiga ciência da cura Chakra é a chave para praticamente tudo que você sempre quis na vida. Você já se perguntou como algumas pessoas pode …

  • Quase sem esforço, se tornar o melhor desempenho no trabalho, ter todo o dinheiro que eles precisam para as necessidades e luxos iguais, e olhar fabuloso fazê-lo?Isso porque seu primeiro Chakra, que controla a sua carreira e finanças , é forte.
  • Delicie-se alucinante sexo apaixonado várias vezes por semana, mesmo se eles são extremamente ocupados e estão casados há anos? Seu Chakra segundo o qual controla a sua sexualidade, é mais provável brilhante.
  • Consistentemente projetar uma imagem de confiança inabalável, mesmo nas piores situações, e desempenhar um papel activo nas suas famílias e comunidades? Isso é tudo graças ao brilho de sua Chakra 3, que controla o seu poder pessoal.
  • Desfrute de profundidade, amar e compreender as relações com seus filhos adolescentes, cônjuges, amigos colegas de trabalho, e resolver qualquer litígio de forma amigável? Seu quarto Chakra, que controla seus relacionamentos, é sem dúvida saudável.
  • Sempre fale as suas mentes, usar seus corações em suas mangas, e ser respeitado por sua autenticidade? Isso é um Chakra brilhando 5, que controla a sua verdadeira voz, no trabalho.
  • Confie em seus “sentimentos viscerais” intuitivamente resolver problemas em casa e tomar decisões importantes no trabalho e estar certo sobre isso a maior parte do tempo? Eles tem um Chakra eficaz 6, que controla a sua intuição, para agradecer por isso.
  • Experimente uma conexão firme com Deus e seus Eus Superiores e saborear a segurança de saber que eles estão sendo vigiados o tempo todo? Seu Chakra 7, que controla a sua consciência divina, é certamente poder.

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Chakras

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Chacras ou xacras, também conhecidos pela grafia chakras são, segundo a filosofia iogue, canais dentro corpo humano (nadis) por onde circula a energia vital (prana) que nutre órgãos e sistemas

Existem várias rotas diferentes e independentes por onde circula esta energia. Os chakras são os pontos onde essas rotas energéticas estão mais próximos da superfície do corpo.

Imagine que os chacras são uma lâmpada com uma tomada do lado. Eles tanto indicam a quantidade de energia naquele sistema específico como podem ser usados para recarregar a energia do sistema. Existem muitos canais e uma grande divergência quanto ao número exato. Algumas linhas afirmam existir 32, outra 114 e ainda 88.000 – sendo assentes todos que os principais são sete.

Na doutrina espirita  os chacras são chamados de Centro de Força.

 

 

Energia vital

A palavra chakra vem do sânscrito e significa “roda”, “disco”, “centro” ou “plexo”. Nesta forma eles são percebidos por videntes como vórtices (redemoinhos) de energia vital, espirais girando em alta velocidade, vibrando em pontos vitais de nosso corpo. Os chakras são pontos de interseção entre vários planos e através deles nosso corpo etérico se manifesta mais intensamente no corpo físico.

Os Vedas (5.000 a.C.) contêm os mais antigos registros sobre chakras de que se tem notícia. Quando foram escritos, o Yoga já sistematizava o conhecimento e o trabalho energético dos chakras.

São sete os principais chakras, dispostos desde a base da coluna vertebral até o alto da cabeça e cada um corresponde à uma das sete principais glândulas do corpo humano. Cada um destes chakras está em estreita correspondência com certas funções físicas, mentais, vitais ou espirituais. Num corpo saudável, todos esses vórtices giram a uma grande velocidade, permitindo que a “prana”, flua para cima por intermédio do sistema endócrino. Mas se um desses centros começa a diminuir a velocidade de rotação, o fluxo de energia fica inibido ou bloqueado – e disso resulta o envelhecimento ou a doença.

Os chakras são conectados entre si por uma espécie de tubo etérico (Nadi) principal chamado “Sushumna”, ao longo do eixo central do corpo humano, por onde dois outros canais alternados “Ida” que sai da base da espinha dorsal à esquerda de Sushumna e “Pingala” à direita ( na mulher estão invertidas estas posições ).

Os Nadis conduzem e regulam o “Prana” (energias yin e yang) em espirais concêntricas. Estes Nadis são os principais, entre milhares, que percorrem todo o corpo em todas as direções, linhas meridianos e pontos. Para os hindus os Nadis são sagrados, é por meio da “Sushumna” que o yogi deixa o seu corpo físico, entra em contato com os planos superiores e traz para o seu cérebro físico a memória de suas experiências.

O corpo físico e cada um dos chacras

Nosso corpo físico tem uma ligação sutil com o mundo astral. É através do desequilíbrio desta energia vital que as pessoas adoecem e acabam obstruindo esta ligação com o Divino. Daí, a relação entre as doenças e as crises emocionais. É muito comum ver pessoas que acabam somatizando e transformando energias negativas, depressãoraivasolidão, em doenças físicas, como cânceres e outras mais graves. Nosso corpo físico tem pontos, que quando ativados, fazem fluir a energia vital, nos trazendo alegria e, principalmente, saúde. É através dos nadis (meridianos) – caminhos invisíveis dentro do nosso organismo – que a energia vital caminha por todo o nosso corpo e chega aos chacras, em pontos que concentram vibrações mais específicas, conforme veremos à seguir:

Muladhara

 

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Muladhara chacra

(Chacra Raiz)

Nome em sânscrito: MULADHARA (“Base e fundamento”; “Suporte”)

Mantra: Lam.

Pétalas: 4.

Localização: Base da Espinha.

Cor: Vermelho.

Elemento: Terra.

Funções: Traz vitalidade para o corpo físico.

Qualidades Positivas: Coragem, Estabilidade. Individualidade, Paciência, Saúde, Sucesso e Segurança.

Qualidades Negativas: Insegurança, Raiva, Tensão e Violência.

primeiro chacra (conhecido como Chacra Base ou Raiz), situado na base da espinha dorsal, relaciona-se com o poder criador da energia sexual. Quando esse chacra está enfraquecido indica distúrbios da sexualidade ou disfunções endócrinas. Quando excessivamente energizado, indica excesso de hormônios, sexualidade exacerbada ou até mesmo a presença de um tumor no local.

Svadhisthana

 

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Swadhisthana chacra

(Chacra órgão genital e base da barriga)

Nome em sânscrito: SWADHISTANA (“Morada do Prazer”)

Pétalas: 6.

Mantra: Vam.

Localização: Abaixo do umbigo.

Cor: Laranja.

Elemento: Água.

Funções: Força e vitalidade física.

Qualidades Positivas: Assimilação de novas ideias, Dar e Receber, Desejo, Emoções, Mudanças, Prazer, Saúde e Tolerância.

Qualidades Negativas: Confusão, Ciúme, Impotência, Problemas da bexiga e Problemas Sexuais.

segundo chacra também chamado esplênico, sacro ou do baço, é responsável pela energização geral do organismo, e por ele penetram as energias cósmicas mais sutis, que a seguir são distribuídas pelo corpo. Quando esse chacra é estimulado, propicia uma boa captação energética.

Manipura

 

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Manipura chacra

(Chacra do umbigo)

Nome em sânscrito: MANIPURA (“Cidade das Jóias”)

Mantra: Ram.

Pétalas: 10.

Localização: Zona da barriga.

Cor: Amarelo.

Elemento: Fogo.

Funções: Digestão, emoções e metabolismo.

Cristais: Âmbar, Olho de Tigre e Ouro.

Qualidades Positivas:
Auto controle, Autoridade, Energia, Humor, Imortalidade, Poder pessoal e Transformação.

Qualidades Negativas: Medo, Ódio, Problemas digestivos e Raiva.

terceiro chacra (conhecido como Chakra do Plexo Solar) localiza-se na região do umbigo ou do plexo solar, e está relacionado com as emoções. Quando muito energizado, indica que a pessoa é voltada para as emoções e prazeres imediatos. Quando fraco sugere carência energética, baixo magnetismo, suscetibilidade emocional e a possibilidade de doenças crônicas.

Anahata

 

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Anahata chacra

(Chacra cardíaco)

Nome em sânscrito: ANAHATA (“Invicto”; “Inviolado”)

Mantra: Yam.

Pétalas: 12.

Localização: Coração.

Cor: Verde (cura e energia vital); Rosa (Amor).

Elemento: Ar.

Funções: Energiza o sangue e o corpo físico.

Qualidades Positivas: Amor incondicional, Compaixão, Equilíbrio, Harmonia e Paz.

Qualidades Negativas: Desequilíbrio, Instabilidade emocional, Problemas de coração e circulação.

quarto chacra situa-se na direção do coração. Relaciona-se principalmente com o timo e o coração. Sua energia corresponde ao amor e à devoção, como formas sutis e elevadas de emoção. Quando ativado desenvolve todo o potencial para o amor altruísta. Quando enfraquecido indica a necessidade de se libertar do egoísmo e de cultivar maior dedicação ao próximo. No aspecto físico, também pode indicar doenças cardíacas.

Visuddha

 

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Visuddha chacra

(Chacra Laríngeo)

Nome em sânscrito: VISHUDDA (“O purificador”)

Mantra: Ham.

Pétalas: 16.

Localização: Na garganta.

Cor: Azul claro.

Elemento: Éter.

Funções: Som, vibração, comunicação.

Qualidades Positivas: Comunicação, Criatividade, Conhecimento, Honestidade, Integração, Lealdade e Paz.

Qualidades Negativas: Depressão, Ignorância e Problemas na comunicação.

quinto chacra fica na frente da garganta e está ligado à tireóide. Relaciona-se com a capacidade de percepção mais sutil, com o entendimento e com a voz. Quando desenvolvido, de forma geral, indica força de caráter, grande capacidade mental e discernimento. Em caso contrário, pode indicar doenças tireoidianas e fraquezas de diversas funções físicas, psíquicas ou mentais.

Ajña

 

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Ajña chacra

(Chacra Frontal)

Nome em sânscrito: AJÑA (“O Centro de comando”)

Mantra: Om.

Pétalas: 2.

Localização: Na testa, entre as sobrancelhas.

Cor: Azul índigo.

Elemento: Todos os elementos.

Funções: Revitaliza sistema nervoso e a visão.

Qualidades Positivas: Concentração, Devoção, Intuição, Imaginação, Realização da alma e Sabedoria.

Qualidades Negativas: Dores de cabeça, Medo, Problema nos olhos, Pesadelos e Tensão

sexto chacra situa-se no ponto entre as sobrancelhas. Conhecido como “terceiro olho” na tradição hinduísta, está ligado à capacidade intuitiva e à percepção sutil. Quando bem desenvolvido, pode indicar um sensitivo de alto grau. Enfraquecido aponta para um certo primitivismo psico-mental ou, no aspecto físico, para tumoração craniana.

Sahasrara

 

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Sahasrara padma

(Chacra Coroa)

Nome em sânscrito: SAHASRARA (“O Lótus das mil pétalas”)

Mantra: Aum.

Pétalas: 1000.

Localização: No topo da cabeça, bem no centro.

Cor: Violeta e Branco.

Elemento: Todos os elementos.

Funções: Revitaliza o cérebro.

Qualidades Positivas: Percepção além do tempo e do espaço. Abre a consciência para o infinito.

Qualidades Negativas: Alienação, Confusão, Depressão e Falta de Inspiração.

sétimo é o mais importante dos chakras, situa-se no alto da cabeça e relaciona-se com o padrão energético global da pessoa. Conhecido como chakra da coroa, é representado na tradição indiana por uma flor-de-lótus de mil pétalas na cor violeta. Através dele recebemos a luz divina. A tradição de coroar os reis fundamenta-se no princípio da estimulação deste chakra, de modo a dinamizar a capacidade espiritual e a consciência superior do ser humano.

Como energizar os chacras

Várias terapias, como o Reiki e a cromoterapia se utilizam dos chakras como base para diagnóstico e tratamento de males que atingem desde o corpo físico até o espiritual. Através de gestos , que podem ser incorporados no dia-a-dia é possível ativar estes pontos de energia, buscando a harmonização do corpo e da alma.

” Concentrar-se no que está fazendo, pensando na região do chakra já é uma forma de reativá-lo Procure ficar em um lugar tranqüilo, para que nenhum barulho possa tirar sua concentração. ” Coloque uma de suas mãos aberta em frente ao chakra, sem tocar no corpo, e faça movimentos circulares no sentido horário, como se estivesse massageando o local, mas à distância. ” Sentar-se na posição de lótus – pernas cruzadas – tronco ereto – e fixar o olhar na ponta do nariz estimula o chakra frontal ou do terceiro olho.

” As cores e os cristais são formas visuais de estimulação do chakras. Utilize a pedra com a cor correspondente a do chakra e direcione suas vibrações.

Origem

A palavra chakra significa literalmente roda. Os chakras são os pontos onde se encontram e fundem as Nadís, ou meridianos, canais condutores da energia no organismo. Estas Nadís unem-se em vários pontos que rodam no sentido dextrógiro (que provoca rotação para a direita – no sentido dos ponteiros do relógio. Antônimo de levógiro).

A noção de chakra faz parte do tantra ou tantrismo, para o qual a kundalini reside no Muladhara. O objetivo das práticas tântricas, que são essencialmente Bhakti Yoga, é a subida da kundalini através dos chakras, ativando-os, a fim de se unir no Sahasra com Shiva, aqui representado como essência espiritual.

Os chakras, descritos em textos tântricos tradicionais, despertaram também a atenção do movimento esotérico europeu, por exemplo, do Rev. Leadbeaterteosofista.

Os chakras estão registrados em culturas antigas e referenciados como pontos energeticos utilizados para cura e progresso energetico e Espiritual. O Qi Gong da China ou Acupunctura, O Yoga da Índia e outras culturas antigas tinham conhecimento destes pontos e de como trabalhar com eles era benéfico à saúde.

Prana, ki e chi

Atualmente, com a universalização do conhecimento, existe a tendência a considerar a convergência dos conceitos das culturas indiana e chinesa sobre estes centros de energia (chakras), e os nadis. Os nadis seriam correspondentes aos meridianos chineses, assim como prana, ki e chi seriam nomes diferentes para a mesma energia vital.

As pesquisas de Hiroshi Motoyama, em Osaka, com o campo eletromagnético humano, mostram a relação entre os meridianos e os nadis, bem como as alterações nas ondas cerebrais durante a ativação dos centros ou chakras superiores.

Kundalini

O primeiro chakra, denominado no ocidente como Chakra Base ou Chakra Raiz é o responsável por manter o fluxo de energia ascendente da terra para o corpo. Emocionalmente ele conecta a pessoa ao mundo presente sendo o responsável pelo bom ânimo. Esse chakra também exerce forte influência sobre os demais ‘bombeando’ energia da terra (telúrica) para cima em direção aos demais centros de energia.

Nos pés há chakras secundários, Plantares, que se relacionam diretamente ao Chakra Raiz sendo os responsáveis pela perfeita troca de energia entre o corpo e a terra.

A energia telúrica absorvida por esses três chakras, ao ser modificada pelo Chakras Raiz, em seu caminho ascendente aos demais chakras recebe o nome de Kundalini.

Técnicas orientais e descrições herméticas relatam o fluxo dessa energia, usando-se a expressão “fogo serpentino“, que descreve sua ascensão através dos nadis

Definição da Doutrina Espírita

Para a Doutrina Espírita os chacras, ali chamados de Centros de força, intermediadores da energia que flui do Perispírito para o duplo etérico, sob o influxo coordenador do pensamento, podendo trazer saúde ou doença ao corpo físico, são órgãos do mencionado duplo etérico, que, como descrito no livro Evolução em Dois Mundos, regulam as atividades corporais, por meio da influência que exercem sobre as glándulas, ao influxo do pensamento, maestro regente de toda esta arquitetura. Neste sentido, a natureza boa ou má dos pensamentos traz grande influência ao funcionamento dos chacras. A sensualidade exacerbada, por exemplo, tende a causar disturbios na região do centro de força localizado na base da espinha dorsal, o que implica uma série de anomalia nas gônadas, próstata, etc (glândulas localizadas na região), podendo provocar, desde a infertilidade ao câncer.

Estes existem apenas enquanto estamos encarnados, desfazendo-se quando da desencarnação, pois estão jungidos ao duplo etérico e não ao perispírito como erroneamente se entendem em alguns centros espíritas, muitos, por não aceitarem a existência do duplo etérico (elo de ligação entre o perispírito e o corpo físico, que se desfaz quando do desencarne). São responsáveis, também, pela coordenação do processo de reencarnação durante o processo denominado de “miniaturização” em que se perde massa perispiritual graduamente até atingir-se o tamanho do feto, promovendo a estabilização energética entre o corpo físico e o perispírito.

Também é através do chacra localizado no ombro que a psicografia é possível. Na obra Evolução em Dois Mundos, o espíritoAndré Luiz narra sua evolução nos seres vivos.

Cada chacra, no corpo físico, está diretamente ligado, além de um plexo nervoso, a uma glândula específica. Os sete principais seguem o elenco apontado pela teosofia, mas dezenas de outros existem. Em alguns livros são também nominados de “centros psíquicos” e em Kardec aparecem como “poros perispiríticos”. Embora claramente definidos pelas obras psicografadas desde a década de 1940, a aceitação no meio espírita ainda não é total, havendo grande resistência a este estudo, sob alegação de “influência oriental”.

Nos anos 60, foi estudado pelo ex-padre e grande espírita, Carlos Torres Pastorino, na obra “A técnica da mediunidade“.

Cada um dos chacras está associado a determinadas emoções e sentimentos. Isto explica a somatização das emoções em nossos corpos e o funcionamento de técnicas ocidentais modernas como o passe espírita.

 

 

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Goetia

Goetia ou Ars Goetia refere-se a uma prática que inclui a” invocação” e “evocação” de “anjos” e “demônios”. Baseia-se na tradição judaico-cristã na qual o rei de Israel, “Salomão” fora agraciado pelos anjos com um sistema que lhe dava poder e controle sobre os principais demônios da Terra e consequentemente a todos os espíritos menores governados por eles. Desta forma, o rei salomão, e posteriormente seus discipulos, teria toda espécie de poderes sobrenaturais, como invisibilidade, sabedoria sobre-humana e visões do passado e futuro.

A Arte Goética, (Latin, provavelmente: “A Arte de Uivar”), geralmente chamado simplesmente de Goetia, é a ensinada na primeira parte das Clavículas de Salomão, um “grimório” do “Século”XVII”. Este primeiro capítulo é conhecido como “Lemegeton Clavicula Salomonis” ou “A Chave Menor de Salomão” e nele são descritos todos os 72 Espíritos Infernais assim como todo o sistema que supostamente havia sido usado pelo rei Salomão.

Magia Goética

Na tradição ocultista ocidental, Magia Goética trata da suposta invocação dos 72 nomes goéticos (ora tido como “demônios” ora tidos como deuses, ora tidos como espíritos). O sistema teria sido concebido por “Salomão”, rei de “Israel” e aperfeiçoado por seus posteriores praticantes.

Variante do círculo e triângulo de”Aleister Crowley”, usado na “evocação” dos setenta e dois espíritos do “Ars Goetia”.

O sistema de invocação é simples, embora construído de uma maneira a impressionar os participantes. Entre seus elementos mínimos temos:, A Varinha, O Círculo, o Triângulo, o Selo, o Hexagrama e o Pentagrama.

Varinha serve como instrumento coordenador expressando a vontade do ocultista.

Círculo é traçado no chão e tem o propósito de proteger o mago.

Triângulo é o espaço dentro do qual o espírito goético é invocado e confinado.

Selo é individualizado para cada um dos 72 espíritos e supostamente serve de conexão entre o mundo físico e o espiritual.

Pentagrama e o Hexagrama por fim, são amuletos de proteção.

Os Nomes Goéticos

Conta a literatura ocultista que cada um dos 72 seres possíveis de serem lidados com o sistema goético possui personalidade própria e deve ser tratado diferentemente para ser convencido a ajudar.

A Chave Menor de Salomão

Capa da reedição de 1995 de 1904, A Chave Menor de Salomão, traduzida por”S.L.M.  Mathers” e com adições de Aleister Crowley.


Uma conhecida tradução do Lemegeton é The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King (Lemegeton Clavicula Salomonis Regis), por”MacGregor Mathers” e com introdução de “Aleister Crowley.
A Chave Menor de Salomão
 ou Lemegeton (em Latim, Lemegeton Clavícula Salomonis) é um grimório pseudepigráfico datado do séculoXVII, contém descrições detalhadas de demônios e as conjurações necessárias para invocá-los e obrigá-los a obedecer ao conjurador. O Lemegeton é dividido em cinco partes: Ars GoetiaArs Theurgia GoetiaArs PaulinaArs Almadel e Ars Notoria.

História

Surgiu no século XVII, mas muito foi retirado de textos do século XVI, incluindo o Pseudomonarchia Daemonum. É provável que os livros da Cabalajudaica e dos místicos muçulmanos  também foram inspirações. Alguns dos materiais na primeira seção, relativas à convocação de demônios, datam do século XIV ou mais cedo.

O livro alega que ela foi originalmente escrita pelo Rei Salomão, embora isto não seja provável. Os títulos de nobreza atribuídos à demônios eram desconhecidos no tempo de Salomão. A Chave Menor de Salomão contém descrições detalhadas dos espíritos e as condições necessárias para invocá-los e obrigá-los a fazer a própria vontade. Ela detalha os sinais e rituais a serem realizados, as ações necessárias para prevenir os espíritos de terem controle, os preparativos que antecedem as invocações, e instruções sobre como fazer os instrumentos necessários para a execução destes rituais. Os vários exemplares existentes variam consideravelmente nas grafias dos nomes dos espíritos. Edições contemporâneas estão amplamente disponíveis na imprensa e na Internet.

The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King de 1904 é uma tradução do texto por Samuel Mathers e Aleister Crowley. É essencialmente um manual que pretende dar instruções para a convocação de 72 diferentes espíritos.

Livros

A Chave Menor de Salomão, é dividido em cinco partes.

Ars Goetia

Variante do círculo e triângulo de Aleister Crowley, usado na evocação dos setenta e dois espíritos do Ars Goetia

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A primeira seção, chamada Ars Goetia, contém descrições dos setenta e dois demônios que Salomão teria evocado e confinado em um vaso de bronze selado com símbolos mágicos, e que ele fosse obrigado a trabalhar para ele. Ele dá instruções sobre a construção de um vaso de bronze semelhante, e usando a fórmula mágica para a segurança apropriada a fim de chamar os demônios.

Trata-se da evocação de todas as classes de espíritos maus, indiferentes e bons, seus ritos de abertura são os de Paimon, Orías, Astaroth e toda a corte do Inferno. A segunda parte, ou Theurgia Goetia, é partilha com os espíritos dos pontos cardeais e seus inferiores. Estas são as naturezas mistas, algumas boas e outras más.

Ars Goetia, atribui uma posição e um título de nobreza para cada membro da hierarquia infernal, e dá aos’demônios’, sinais que têm de pagar fidelidade “, ou selos. As listas de entidades na Ars Goetia, correspondem (mas a alto grau variável, geralmente de acordo com a edição) com os da Stheganographia de Trithemius, circa 1500, e da Pseudomonarchia Daemonum de Johann Weyer, um anexo que aparece em edições posteriores de Praestigiis Daemonum, de 1563.

A edição revisada do Inglês  Ars Goetia foi publicado em 1904 pelo mágico Aleister Crowley, como o livro da Goetia do rei Salomão. Ele serve como um componente-chave do seu sistema popular e influente de magia.

Os 72 demônios

O décimo demônio”Buer”

Os nomes dos demônios (a seguir), são tomadas a partir da Ars Goetia, que difere em termos de número e classificação do “Pseudomonarchia Daemonum”de Weyer. Como resultado de múltiplas traduções, existem vários dados para alguns dos nomes que constam dos artigos que lhes dizem respeito.

1.Rei-Baal
2.Duque-Agares
3.Príncipe-Vassago
4.Marquês-Samigina
5.Presidente-Marbas
6.Duque-Valefar
7.Marquês-Amon
8.Duque-Barbatos
9.Rei-Paimon
10.Presidente-Buer
11.Duque-Gusion
12.Príncipe-Sitri
13.Rei-Beleth
14.Marqês-Leraje
15.Duque-Eligos
16.Duque-Zepar
17.Conde/Presidente-Botis
18.Duque-Bathin
19.Duque-Sallos
20.Rei-Purson
21.Presidente-Morax
22.Príncipe-Ipos
23.Duque-Aim
24.Marquês-Naberius
25. Conde/Presidente-Glasya-Labolas
26. Duque-Bune
27. Marquês/Conde-Ronove
28. Duque-Berith
29. Duque-Astaroth
30. Marquês-Forneus
31. Presidente-Foras
32. Rei-Asmodeus
33. Príncipe/Presidente-Gaap
34. Conde-Furfur
35. Marquês-Marchosias
36. Príncipe-Stolas
37. Marquês-Phenex
38. Conde-Halphas
39. Presidente-Malphas
40. Conde-Raum
41. Duque-Focalor
42. Duque-Vepar
43. Marquês-Sabnock
44. Marquês-Shax
45. Rei-Vine
46. Conde-Biforns
47. Duque-Uvall
48. Presidente-Haagenti
49.Duque-Crocell
50.Cavaleiro-Furcas
51.Rei-Balam
52.Duque-Alloces
53.Presidente-Caim
54.Duque-Murmur
55.Príncipe-Orobas
56.Duque-Gemory
57.Presidente-Ose
58.Presidente-Amy
59.Marquês-Orias
60.Duque-Vapula
61.Rei-Zagan
62.Presidente-Valac
63.Marquês-Andras
64.Duque-Haures
65.Marquês-Andrealphus
66.Marquês-Cimejes
67.Duque-Amdusias
68.Rei-Belial
69.Marquês-Decarabia
70.Príncipe-Seere
71.Duque-Dantalion
72.Conde-Adromalius

Stolas, Grande Príncipe do Inferno, ilustrado por Collin de Plancy do Dictionnaire Infernal.

Ars Theurgia Goetia

Ars Goetia Theurgia (“a arte da Teurgia Goética”), é a segunda seção da Chave Menor de Salomão. Ele explica os nomes, as características e os selos dos 31 espíritos aéreos (chamados de Chefes, Imperadores, Reis e Príncipes), que o Rei Salomão invocou e confinou. Também explica as proteções contra elas, os nomes dos espíritos e seus “servos”, a maneira de como invocá-los, e sua natureza, que é o bem e o mal.

Seu único objetivo é descobrir e mostrar coisas escondidas, os segredos de qualquer pessoa, obter, transportar e fazer qualquer coisa perguntando-lhes. No enquanto, eles estão contidos em qualquer um dos quatro elementos (terra, fogo, ar  e água). Esses espíritos, são caracterizados em uma ordem complexa no livro, e alguns deles, a sua ortografia têm variações de acordo com as diferentes edições.

Ars Paulina

Ars Paulina (“a arte de Paulo”), é a terceira parte da Chave Menor de Salomão. Segundo a lenda, esta arte foi descoberta pelo Apóstolo “Paulo”, mas no livro, é mencionado como a arte de Paulo do Rei Salomão. O Ars Paulina, já era conhecido desde a Idade Média e é dividido em dois capítulos deste livro.

O primeiro capítulo, refere-se sobre como lidar com os “anjos” das diversas horas do dia (ou seja, dia e noite), para os seus selos, sua natureza, os seus agentes (chamados de Duques), a relação desses anjos com os sete planetas conhecidos na naquela época, os aspetos “astrológicos” adequados para invocá-los, o seu nome (em alguns casos coincidindo com os dos setenta e dois demônios mencionados na Ars Goetia, a conjuração e a invocação de chamá-los, na Mesa da prática.

A segunda parte, refere-se aos anjos que governam sobre os signos do “zodíaco” e cada grau de cada signo, a sua relação com os “quatro elementos,Fogo, Terra, Água e Ar, seus nomes e seus selos. Estes são chamados aqui como os anjos dos homens, porque todas as pessoas que nascem sob um signo zodiacal, com o Sol em um grau específico dele.

Ars Almadel

Ars Almadel (“a arte de Almadel”), é a quarta parte da Chave Menor de Salomão. Ela nos diz como fazer a Almadel, que é um tablete de cera com símbolos de proteção nele traçadas. Nela, são colocadas quatro velas. Este capítulo tem as instruções sobre as cores, materiais e “rituais” necessários para a construção do Almadel e as velas.

O Ars Almadel, também fala sobre os “anjos” que estão a ser invocados e explica apenas as coisas que são necessárias e que devem ser feitas a eles, e como a conjuração tem que ser feito. Também menciona doze príncipes reinantes com eles. As datas e os aspectos “astrológicos”, tem que ser considerado mais convenientes para invocar os anjos, são detalhadas, mas resumidamente.

O autor afirma ter experimentado o que é explicado neste capítulo.

Ars Notoria

Ars Notoria (“a arte Notável”), é a quinta e última parte da Chave Menor de Salomão. Foi um “grimório” conhecido desde a Idade Média. O livro afirma que esta arte foi revelada pelo”Criador para o Rei Salomão”, por meio de um “anjo”.

Ele contém uma coleção de”orações” (alguns deles dividido em várias partes), misturado com palavras  “cabalísticas” e mágicas em várias línguas (ou seja, hebraico, grego, etc), como a oração deve ser dito, e a relação que estes rituais têm a compreensão de todas as “Ciências”. Menciona os aspectos da Lua em relação com as orações. Diz também, que o ato de orar, é como uma invocação aos anjos de Deus. Segundo o livro, a grafia correta das orações, dá o conhecimento da ciência relacionados com cada um e também, uma boa memória, a estabilidade da mente, e a eloquência. Este capítulo, previne sobre os “preceitos” que devem ser observados para obter um bom resultado.

Finalmente, ele conta como o Rei Salomão recebeu a “revelação” do anjo.

O “Selo de Salomão”, do livro, The Goetia: The Lesser Key of Solomon the King

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Aleister Crowley

Introdução 


Um grande mago na minha Concepção muito do que sei e sou  hoje aprendi com as minhas Pesquisas Sobre este Grande Mago.

                                                           

Aleister Crowley, nascido Edward Alexander Crowley (12 de Outubro de 1875 – 1 de Dezembro de 1947), foi um membro daOrdem Hermética da Aurora Dourada e influente ocultista britânico, responsável pela fundação da doutrina Thelema. Ele é o co-fundador da A∴A∴ e eventualmente um líder da Ordo Templi Orientis (O.T.O.). Ele é conhecido hoje em dia por seus escritos sobre magia, especialmente o Livro da Lei, o texto sagrado e central da Thelema, apesar de ter escrito sobre outros assuntos esotéricos como magia cerimonial e a cabala.

Crowley também era um hedonistausuário recreacional de drogas, e crítico social. Em muita de suas façanhas ele “iria contra os valores morais e religiosos do seu tempo”, defendendo o libertarianismo baseado em sua regra de “Faz o que tu queres” Por causa disso, ele ganhou larga notoriedade em sua vida, e foi declarado pela imprensa do tempo como “O homem mais perverso do mundo.” Além de suas atividades esotéricas, ele era também um premiado jogador de xadrez, um alpinista, poeta, dramaturgo e foi alegado que ele também era um espião para o governo britânico.

Em 2002, uma enquete da BBC descrevia Crowley como sendo o septuagésimo terceiro maior britânico de todos os tempos, por influenciar e ser referenciado por numerosos escritores, músicos e cineastas, incluindo Jimmy PageAlan MooreOzzy Osbourne,Raul SeixasMarilyn Manson, e Kenneth Anger. Ele também foi citado como influência principal de muitos grupos esotéricos e de individuais na posterioridade, incluindo figuras como Kenneth GrantGerald Gardner e Amado Crowley.

Primeiros anos, 1875-1894

Edward Alexander Crowley Nasceu na rua Clarendon Square, número 30, em Royal Leamington Spa, Warwickshire, Inglaterra, entre as 11:00 p.m e meia-noite do dia 12 de Outubro de 1875.Seu pai, Edward Crowley, era um engenheiro formado mas, de acordo com Aleister, nunca trabalhou como um. Ele entretanto era um rico dono de cervejaria, que permitiu a ele se aposentar antes que Aleister nascesse. Através do negócio de seu pai ele conheceu o ilustrador Aubrey Beardsley. Sua mãe, Emily Bertha Bishop, vinha de uma família com origens em Devon e Somerset.[9] Ambos seus pais eram da Irmandade Reservada, uma facção mais conservativa de uma denominação Cristã conhecida como Irmãos de Plymouth,[10]e seu pai costumava ser um missionário para a seita. Deste modo o jovem Crowley foi criado para ser um Irmão Plymouth, sujeito a leitura diária de um capítulo da Bíblia.

Em 29 de Fevereiro de 1880,uma irmã, Grace Mary Elizabeth, nasceu mas sobreviveu apenas cinco horas. Crowley foi levado para ver o corpo, em suas próprias palavras em As Confissões de Aleister Crowley, o qual escreveu em terceira pessoa:

O incidente criou uma curiosa impressão nele. Ele não entendia o porque de ser perturbado tão inutilmente. Ele não poderia fazer nada; a criança estava morta; aquilo não era de sua conta. Essa atitude continuou com o passar de sua vida. Ele nunca vistara outro funeral a não ser o do próprio pai, que ele não se importou em fazer, pois sentiu que ele na verdade era o centro de interesse.

Em 5 de Março de 1887, quando Crowley tinha apenas onze anos, seu pai morreu de câncer de língua. Ele iria mais tarde descrever isso como um ponto decisivo em sua vida,e a partir desse momento ele mais tarde começa a se descrever em primeira pessoa em suas Confissões. Ainda sendo rico, ele posteriormente foi enviado a uma escola da Irmandade Plymouth, mas foi expulso por “tentar corromper outro garoto.”Após isso ele atendeu a Escola Tonbridge e o Colégio Malvern, ambas a qual desprezava. Ele se tornou continuamente cético sobre o Cristianismo, e foi contra a moralidade Cristã da qual foi ensinado, por exemplo visitando prostitutas,de uma das quais pegou gonorréia.

Universidade, 1895-1897

Em 1895 ele começou um curso de três anos no Trinity College, Cambridge, onde ele entrou para estudar Filosofia, mas com permissão de seu tutor pessoal, ele trocou o curso paraLiteratura inglesa, que até então não era parte do currículo oferecido. Foi aqui que ele criou uma visão mais severa sobre o Cristianismo, posteriormente dizendo:

A Igreja da Inglaterra […] parecia uma estreita tirania, tão detestável quanto a dos Irmãos de Plymouth; menos lógica e mais hipócrita… Quando eu descobri que a capela era obrigatória eu imediatamente revidei. O reitor júnior me repreendeu por não estar comparecendo a capela, o que eu certamente não estava, pois isso envolvia acordar cedo. Eu me desculpei com o fundamento de que tinha sido criado entre os Irmãos de Plymouth. O reitor pediu para que eu viesse vê-lo ocasionalmente e falar sobre o assunto, e eu tive a surpreendente ousadia de escrever a ele: ‘A semente plantada pelo meu pai, regada com as lágrimas de minha mãe, teriam crescido profundas de mais para que pudessem ser arrancadas até mesmo por sua eloquência e aprendizagem’.

Também foi na universidade que ele fez a decisão de mudar o nome Edward Alexander para Aleister. Sobre isso ele declarou:

Por muitos anos eu me aborreci sendo chamado de Alick, em parte devido ao som desagradável e a visão da palavra, e em parte pois esse era o nome que minha mãe me chamava. Edward não parecia se ajustar a mim e os diminutivos Ted ou Ned eram ainda menos apropriados. Alexander era muito longo e Sandy sugeria ser loira com sardas. Eu tinha lido em um livro ou outro que o nome mais favorito a se tornar famoso era composto de um dátilo seguido por um espondeu, como no fim de um hexâmetro: por exemplo Jeremy Taylor. Aleister Crowley preenchia essas condições e Aleister é a forma gaélica de Alexander. Adotar este nome satisfaria meu ideal romântico. A ortografia atroz A-L-E-I-S-T-E-R foi sugerido como a forma correta pelo Primo Gregor, que deveria saber melhor. De qualquer modo, A-L-A-I-S-D-A-I-R cria um dátilo muito ruim. Por essas razões eu decidir ficar com meu pseudônimo presente—Eu não posso dizer que tenho certeza que facilitei o processo de ficar famoso com isso. Eu deveria ter feito isso sem dúvida, qualquer que tivesse sido o nome que eu escolhesse.[16]

Crowley passou bastante de seu tempo de universidade em seus passatempos, entre eles o alpinismo; ele iria em feriados para os Alpes todo ano de 1894 até 1898, e vários outros alpinistas que o conheciam nesse tempo o identificavam como “um alpinista prometedor, entretanto um tanto quanto errático”. Outro de seus passatempos era o de escrever poesia, algo que ele fazia desde os dez anos de idade, e em 1898 ele publicou privadamente cem cópias de um de seus poemas, Aceldama, mas não foi um sucesso em particular.Apesar disso, no mesmo ano ele publicou uma série de outros poemas, o mais notável deles sendo White Stains (literalmente Manchas Brancas), uma obra erótica que tinha que ser impressa no exterior, em caso de haver problemas com as autoridades britânicas. Um terceiro passatempo seu era o xadrez, e ele entrou no clube de xadrez da universidade, onde, segundo ele mais tarde descreve, derrotou o presidente do clube no seu primeiro ano e praticava duas horas por dia para se tornar um campeão—”Minha ambição mundana séria era a de se tornar o campeão mundial de xadrez.” Ele também relata ter derrotado os famosos jogadores de xadrez Joseph Henry Blackburne e Henry Bird e estar em seu caminho para se tornar um mestre no xadrez, até que ele visitou um importante torneio em 1897 em Berlim onde “Eu vi os mestres — um, velho, rabugento e cegueta; outro, de um jeito respeitoso de dizer seria malfeito; o terceiro, uma mera paródia da humanidade, e assim em diante para o resto. Essas eram as pessoas de qual a posição eu estava buscando. “Ali, mas pela graça de Deus, se vai Aleister Crowley”, eu exclamava para mim com desgosto, e naquele momento eu fiz um voto de nunca mais jogar outra partida séria de xadrez.” Na universidade, ele também alegou manter um vida sexual vigorosa, da qual era grandemente conduzida com prostitutas e garotas que ele conhecia em bares e tabacarias, mas eventualmente começou a participar em atividades homossexuais na qual fazia o papel passivo no sexo anal. Em 1897, Crowley conheceu um homem chamado Herbert Charles Pollitt, e posteriormente tiveram um relacionamento,[23] mas se separaram pois Pollitt não compartilhava dos interesses de Crowley no esoterismo. Como o próprio Crowley descreveu, “Eu disse pra ele francamente que eu tinha devotado minha vida a religião e que ele não se enquadrava no esquema. Agora eu vejo como eu fui imbecil, como terrivelmente errado e fraco é rejeitar qualquer parte da personalidade de uma pessoa.”

Foi em dezembro de 1896 que ele teve sua primeiro experiência religiosa significante da qual mais tarde ele afirma, “essa filosofia nasceu em mim.” O seu biógrafo, Lawrence Sutin, acredita que isso foi o resultado da primeira relação homossexual de Crowley, que trouxe a ele “um encontro como uma divindade imanente.” A partir dessa experiência, Crowley começou a ler sobre ocultismo e misticismo, e no próximo ano, ele começou a ler livros de alquimistas e místicos, e livros em magia.[8] Em outubro uma breve doença lhe trouxe questões sobre a mortalidade e “a futilidade de toda atividade humana,” ou pelo menos a futilidade da carreira diplomática que Crowley tinha anteriormente considerado – ao invés ele decidiu devotar sua vida ao oculto. Em 1897 ele deixou Cambridge, sem conquistar diploma algum.

A Aurora Dourada, 1898-1899

 Ordem Hermética da Aurora Dourada

Em 1898, Crowley estava de estadia em ZermattSuíça, onde ele encontrou o químico Julian L. Baker, e os dois começaram a falar sobre seus interesses em comum sobre alquimia. No seu retorno a Inglaterra, Baker apresentou Crowley a George Cecil Jones, um membro da sociedade oculta conhecida como Ordem Hermética da Aurora Dourada.Crowley foi posteriormente iniciado na “Ordem Externa” da Aurora Dourada, no dia 18 de novembro de 1898, pelo líder do grupo, S. L. MacGregor Mathers.A cerimônia foi realizada no Salão de Mark Mason em Londres, onde Crowley aceitou seu lema e seu nome mágico de Frater Perdurabo, significando “Eu devo resistir até o fim.” Por volta desse mesmo tempo, ele se moveu de uma acomodação elegante no Hotel Cecil para o seu próprio apartamento de luxo em Chancery Lane. Ali, Crowley prepararia duas acomodações diferentes; uma para a prática de Magia Branca e outra para a prática de Magia Negra. Pouco tempo depois ele convidou seu companheiro da Aurora Dourada, Allan Bennett, para viver com ele, e Bennett se tornou seu tutor pessoal, ensinando a ele mais sobre magia cerimonial e o uso de drogas para rituais. Entretanto, em 1900, Bennett se mudou para Ceilão (Sri Lanka de hoje) para estudar Budismo,[33] enquanto em 1899 Crowley adquiriu Mansão Boleskine, em Foyers na margem do Lago Ness na Escócia. Ele desenvolveu um amor pela cultura escocesa, se descrevendo como “Senhorio de Boleskine” e começou a vestir o tradicional vestido das montanhas, até mesmo durante visitas de volta a Londres.

Variante do círculo e triângulo de Aleister Crowley, usado na evocaçãodos setenta e dois espíritos do Ars Goetia.

Entretanto, uma dissidência havia sido desenvolvida ao redor da Aurora Dourada, com MacGregor Mathers, o líder da organização, sendo deposto por um grupo de membros que estavam infelizes com seu regime autocrático. Crowley tinha inicialmente contatado esse grupo pedindo para ser iniciado em ordens superiores da Aurora Dourada, mas eles negaram a ele. Imperturbado, ele foi a MacGregor Mathers, que por uma grande quantia iniciou ele na Segunda Ordem. Agora leal a Mathers, ele (com sua então amante e companheira iniciada, Elaine Simpson) tentaram ajudar a interromper a rebelião, e sem sucesso tentaram tomar o espaço de um local conhecido como a Abóbada de Rosenkreutz dos rebeldes. Crowley também desenvolveu mais contendas pessoais com alguns dos membros da Aurora Dourada; ele não gostava do poetaW.B. Yeats, que tinha sido um dos rebeldes, pois Yeats não era particularmente favorável a um de seus poemas, Jephthat. Ele também era antipático a Arthur Edward Waite, que despertava a ira de seus companheiros da Aurora Dourada com seu pedantismo. Crowley defendia o ponto de vista que Waite era um chato pretensioso através de críticas aos escritos deles e editoriais das escritas de outros autores. Em seu periódico O Equinócio, Crowley intitulou uma de suas críticas de, “Wisdom While You Waite” (interpretado como Sabedoria Enquanto Você Espera, sendo Wait em inglês esperar), e sua nota sobre o falecimento de Waite tinha o título de, “Dead Waite” (interpretado como “Peso Morto”, aproximando a pronúncia de “weight”, que significa peso).

Viagens ao redor do mundo, 1900-1903

Enquanto isso, em 1900, Crowley tinha viajado ao México através dos Estados Unidos por uma veneta, onde ele pegou uma mulher local como sua amante, e junto com seu amigo Oscar Eckenstein foram escalar diversas montanhas, incluindo IxtaccihuatlPopocatepetl e até Colima, da qual a ultima tiveram que abandonar devido a uma erupção vulcânica. Durante esse período Eckenstein revelou suas próprias tendências místicas. Crowley tinha continuado por si próprio experimentos mágicos após deixar Mathers, e seus registros indicam que durante esse tempo ele descobriu o significado da palavra Abrahadabra. Eckenstein disse a ele que precisava melhorar o controle de sua própria mente, e recomendou a prática de raja yoga. Depois de deixar o México, um país do qual ele se tornara um grande apreciador, Crowley visitou São FranciscoHavaíJapãoHong Kong eCeilão, onde ele se encontrou com Allan Bennett e se devotou ainda mais a ioga, na qual ele afirma ter alcançado o estado mental de dhyana. Foi durante esta visita que Bennett decidiu se tornar um monge budista da tradição Theravada, viajando à Burma, enquanto Crowley tinha ido a Índia, estudar várias práticas Hinduístas. Em 1902, Eckenstein se juntou a ele na Índia com alguns outros alpinistas: Guy Knowles, H. Pfannl, V. Wesseley, e Dr Jules Jacot-Guillarmod. Juntos, a expedição Eckenstein-Crowley tentaram escalar o monte K2, que até então nenhum outro europeu tinha tentado escalar. Nessa jornada, Crowley se infectou com influenzamalária e cegueira de neve, enquanto os outros membros também estavam com doenças similares. Eles finalmente alcançaram os 20.000 pés de altura antes de decidirem retornar. Ao retornar à Europa, ele visitou MacGregor Mathers em Paris, e apesar de terem sido amigos uma vez, os dois se separaram logo; Crowley afirmou que Mathers estava roubando dele enquanto ele esteve fora (ele posteriormente roubou os itens de volta), e como o biógrafo de Crowley John Symonds notou, ambos se consideravam os esoteristas superiores e se recusavam a se submeter ao outro. Em 1903 Crowley se casou com Rose Edith Kelly, que era irmã de um amigo de Crowley, o pintor Gerard Kelly, em um casamento de conveniência. Entretanto, um pouco depois do casamento, Crowley se apaixonou de verdade por ela e começou a namorá-la. Gerard Kelly era de fato um grande amigo de W. Somerset Maugham, que mais tarde usaria Crowley como modelo para sua novela O Mágico, publicada em 1908.

Morte

Seus últimos anos, a partir de 1945, são vividos em Hastings, onde uma série de novos discípulos continuam recebendo instruções. E assim Kenneth Grant, John Symonds, Grady McMurty, conhecem a Besta. Desta época, vem sua última obra, consistindo numa coletânea de cartas dirigidas a uma jovem discípula, que foram publicadas bem mais tarde, após a sua morte, como Magick Without Tears.

No primeiro dia de dezembro de 1947, aos 72 anos, Aleister Crowley, serenamente segundo alguns, exultante segundo outros, e ainda perplexo, segundo terceiros, falece, vítima de bronquite crônica e complicações cardíacas.

Quatro dias depois, no crematório de Brighton, assistido por um reduzido número de admiradores e discípulos, é realizada a cerimônia que ficou conhecida como “O Último Ritual”, com a leitura de trechos da Missa Gnóstica, e de seu famoso Hino, a Pã. Alguns Dizem Que No seu Ultimo Ritual, Apareceu a imagem do Diabo o Levando para baixo, ou seja para o Inferno.

 

Influência no rock

Socialmente, Crowley se tornou conhecido devido as referências feitas a ele no rock n’ roll dos anos de 1960 e 1970, pelas bandas Led ZeppelinRolling StonesIron MaidenThe Beatles e Black Sabbath, e pelos cantores Ozzy Osbourne e David Bowie. Essas referências tanto faziam homenagem a ele, quanto criticavam-no.

Os primeiros a citar Crowley em sua obra foram os Beatles. Por serem britânicos, os quatro membros da banda acreditaram que Crowley era uma personalidade influente o bastante para ser colocado na capa do disco Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Isso possibilitou que os próximos artistas tivessem conhecimento da obra de Crowley, que fazia uma boa combinação com a rebeldia e o anarquismo promovidos pelo rock n’ roll.

O cantor e compositor brasileiro Raul Seixas foi um grande divulgador e seguidor da obra de Aleister Crowley. Suas principais canções sobre Crowley e a Thelema são “Sociedade Alternativa”, “Novo Aeon” e “Loteria de Babilônia”.

Uma das principais e provavelmente a mais explicita referência musical é a canção “Mr. Crowley” do cantor britânico Ozzy Osbourne. Trata-se de uma crítica ao ocultista. O versos “You fooled all the people with magic” sugerindo que Aleister tenha enganado seus seguidores é um dos exemplos mais explicitos do tom pejorativo da música. “Mr. Crowley” foi lançada no álbum Blizzard of Ozz, de 1980.


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Ocultismo

Ocultismo é um conjunto de teorias e práticas cujo objetivo seria desvendar os segredos da natureza, do Universo e da própria Humanidade. O ocultismo trata de um tipo de conhecimento que está além da esfera do conhecimento empírico, o que é sobrenatural e secreto. Não é aceito pela comunidade científica por não compartilhar de suas metodologias. O ocultismo está relacionado aos fenômenos sobrenaturais. Ou seja, são conjecturas metafísicas, e teológicas, algumas das quais oriundas de povos da Antigüidade Clássica.

Introdução

O ocultismo está relacionado aos fenômenos sobrenaturais. Ocultismo é um conjunto vasto, um corpo de doutrinas proveniente de uma tradição primordial que se encontraria na origem de todas as religiões e de todas as filosofias, mesmo as que, aparentemente, dele parecem afastar-se ou contradizê-lo.

O Homem aqui retratado seria um completo e arquetípico, composto não apenas de corpo, mas também de emoçãorazão e alma (como divide a cabala).

Segundo algumas tradições monoteístas e ocultistas, as religiões do mundo teriam sido inspiradas por uma única fonte sobrenatural. Portanto, ao estudar essa fonte chegar-se-ía à religião original. Outras tradições de orientação panteísta acreditam em milhares de fontes em razão de seus vários deuses. O hinduísmo, o xintoísmo e o candomblé são alguns exemplos.

Muitas vezes um ocultista é referenciado como um mago. Alguns acreditam que estes antigos Magos já conheciam a maior parte das descobertas da ciência contemporânea e até além delas, tornando estas descobertas meros achados.

Definição

Nas ciências ocultas, a palavra oculto refere-se a um “conhecimento não revelado” ou “conhecimento secreto”, em oposição ao “conhecimento ortodoxo” ou que é associado à ciência convencional. Para as pessoas que seguem aprofundando seus estudos pessoais de filosofia ocultista, o conhecimento oculto é algo comum e compreensível em seus símbolos, significados e significantes. Este mesmo conhecimento “não revelado” ou “oculto” é assim designado, por estar em desuso ou permanecer nas raízes das culturas.

Originalmente no século XIX era usado por ter sido uma tradição que teria se mantido oculta à perseguição da Igreja, e da sociedade e por isso mesmo não pode ser percebido pela maioria das pessoas.

Mesmo que muitos dos símbolos do ocultismo, estejam sendo utilizados normalmente e façam parte da linguagem verbal ou escrita), permanecem assim, ocultos o seu significado e seu verdadeiro sentido. Desta maneira, tudo aquilo que se chama de “ocultismo” seria uma sabedoria intocada, que poucas pessoas chegam a tomar conhecimento, pois está além da visão objetiva da maioria, ou de seu interesse. O ocultismo sempre foi concebido desde o início, como um saber acessível apenas a pessoas iniciadas (ou seja, para aquelas que passaram por uma “iniciação”; uma inserção num grupo separado do comum e do popular; ou mesmo uma espécie de batismo, onde as pessoas seriam escolhidas, então guiadas e orientadas a iniciar numa nova forma de compreender e pensar o que já se conhece, transcendendo-o).

A percepção do oculto consiste, não em acessar fatos concretos e mensuráveis, mas trabalhar com a mente e o espírito. Refere-se ao treinamento mental, psicológico e espiritual que permite o despertar de faculdades ocultas.

Origens, influências e tradições

O ocultismo teria suas origens em tradições antigas, particularmente o hermetismo no antigo Egito, e envolve aspectos como magiaalquimia, e cabala.

O ocultismo tem relação com o misticismo e o esoterismo e tem influências das religiões e das filosofias orientais (principalmente YogaHinduísmoBudismo, e Taoísmo).

História

As raízes mais antigas conhecidas do ocultismo são os mistérios do antigo Egito, relacionados com o deus Hermes ou Thoth. Essa parte do ocultismo ou doutrina é tratada noHermetismo.

Na Idade Média, principalmente na Península Ibérica devido a presença de muçulmanos e judeus, floresceu a alquimia, ciência relacionada com a manipulação dos metais, que segundo alguns, seria na verdade uma metáfora para um processo mágico de desenvolvimento espiritual. Tanto a alquimia quanto o ocultismo receberam influência da cabala judaica, um movimento místico e esotérico pertencente ao judaísmo.

Alguns destes ocultistas medievais acabaram sendo mortos na fogueira pela Inquisição da Igreja Católica, acusados de serem bruxos e terem feito pacto com o diabo. Mas existem trabalhos relacionados à cabala durante toda Idade Média. E de alquimia na Baixa Idade Média.

O ocultismo ressurgiu no século XIX com os trabalhos de Eliphas LeviHelena Petrovna BlavatskyPapus e outros.

A partir do século XX, a Teosofia Brasileira também tem difundido este conhecimento metafísico e iniciático.

História recente e Ocultistas famosos

O ocultismo moderno, cujo ressurgimento deu-se principalmente ao final do século XIX, teve sua parte teórica sistematizada por Helena Petrovna Blavatsky, no que ficou conhecido como Teosofia. Além dela, também são importantes na definição do moderno ocultismo Eliphas LeviS. L. MacGregor MathersWilliam Wynn WestcottPapusAleister CrowleyAnton Szandor LaVey, entre outros.

Eliphas Levi divide as preferência de alguns com Papus como o maior ocultista do século XIX, tendo ambos sistematizado boa parte do que hoje conhecemos como ocultismo prático moderno.

Também devemos lembrar a importância de S. L. MacGregor Mathers e da Ordem Hermética do Amanhecer Dourado (“Hermetic Order of the Golden Dawn”), responsáveis em parte pelo ressurgimento da magia ritualista, e que influenciaram fortemente a maioria dos mais conhecidos e importantes magos e ocultistas do século XX.

Já no século XX destaca-se enormemente a figura de Aleister Crowley, que desenvolveu um sistema mágico, conhecido como Thelema, que deu origem e influenciou diversas escolas mágicas, também escreveu uma extensa gama de livros que figuram entre as preferências de ocultistas modernos.

Não podemos esquecer também a contribuição do não tão famoso Franz Bardon com seus poucos, mas valiosos, livros.

No Brasil, um dos principais expoentes dos estudos ocultistas, Henrique José de Souza, nasceu em Salvador, em 1883, e participou de uma série de movimentos, desde a fundação de lojas maçônicas a correntes espiritualistas como Dhâranâ, que mais tarde viria a se chamar Sociedade Brasileira de Eubiose. O Professor Henrique, como é chamado pelos membros de diversas correntes da teosofia brasileira, deixou um legado de centenas de “cartas-revelações”, contendo material de cunho profundamente ocultista.

Sociedades e fraternidades

Atualmente, as tradições relacionadas com o ocultismo são mantidas por diversas sociedades e fraternidades secretas ou abertas, cuja admissão ocorre por meio de uma iniciação, que é um ritual de aceitação. Esse ritual tem como fundamento uma suposta nova vida que a pessoa deverá alcançar com a iniciação, ela morre simbolicamente e renasce para a vida que passará a ter.

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Golden Daw

Ordem Hermética da Aurora Dourada (Golden Dawn), foi uma sociedade mágica surgida na Inglaterra, na década de 1880, que reunia várias vertentes do Ocultismo, e cujas ramificações encontram-se ativas até os dias de hoje.

No dizer de Gerald Yorke, a Aurora Dourada foi “a glória culminante do renascimento ocultista do século XIX, sintetizando um vasto corpo de material desconexo e disperso, em um todo coerente, prático e eficiente, o que não pode ser dito de qualquer outra ordem ocultista de que tenhamos conhecimento naquele tempo ou a partir de então

Origens

Até o surgimento da Golden Dawn, o Ocultismo Ocidental se compunha de diversas tradições separadas, por vezes divergentes. A Alquimia, a Astrologia, a Magia Cerimonial eram secundados por diversos métodos divinatórios, e influenciados por diversas crenças, como o Pitagorismo, o Neoplatonismo, o Catarismo, o Maniqueísmo, a Gnose, o Judaísmo e oHermetismo, que transitavam por diversas culturas, como a greco-romana e a árabe.

Porém, à época da Aurora Dourada (Século XIX), pode-se dizer que a tradição mágica ocidental havia se perdido, abrindo espaço para movimentos ocultistas de inspiração oriental (como a Teosofia). Nesse sentido, é possível interpretar o advento da nova Ordem como uma reação a essa tendência orientalizante.

No resgate da tradição mágica ocidental, a Golden Dawn aprofundou ao máximo as ligações com a Cabala e com a antiga Magia cerimonial, às quais ela agregou o esquema de correspondência universal proposto por Eliphas Lévi, devidamente ampliado, desenvolvido e codificado para que cada fator no Universo passasse a ter correspondência no Ser Individual. Assim, todos os sistemas ocultistas antes existentes foram integrados num único corpo de pensamento, interrelacionado, interdisciplinar e interdependente.

Nesse novo corpo de pensamento,a Magia tornou-se uma disciplina prática e dinâmica, aonde, ao incentivo às experimentações (por exemplo, a Viagem Astral), se mesclaram três sistemas operatórios principais: a Magia Cerimonial, dotada de um novo código de signos, a Magia Enoquiana,e a Magia de Abramelin, (ou Magia Angélica).

Seu sucesso deveu-se à ênfase no erudito, à qualidade de seu núcleo fundador, à sua organização esmerada, ao seu incentivo à pesquisa, e à admissão de membros sem restrições de sexo, religião ou raça; mas sua importância fundamental para o renascimento do Ocultismo resultou, principalmente, de sua original capacidade de recriar e reinterpretar os vários e antigos sistemas de sabedoria oculta, cultivados no mundo Ocidental.

Cenário

 “Circulus Magicus” ano 1886, pintura de Ioanne Guiliermo Waterhouse.

Desde o século XVII, na Inglaterra, tanto a Magia quanto a Astrologia, que eram pedras angulares do Ocultismo e haviam desempenhado, nos séculos anteriores, um importante papel no campo da compreensão do Universo, deixaram de ser intelectualmente aceitáveis, por força de processos históricos que culminaram no advento da Reforma e no posterior triunfo da Filosofia MecânicaCiência e Magia se dissociaram, enquanto a Astrologia tornou-se um conhecimento estagnado e tratado como superstição.

Mas no século XIX, esse cenário se alterou. A Inglaterra encontrava-se no auge de sua expansão imperialista, projetando-se e interagindo com os mais distantes recantos do planeta, o que tornava Londres uma metrópole culturalmente cosmopolita, receptiva a novas idéias e doutrinas. Será nesse cenário de efervescência cultural que o Ocultismo se reerguerá, até como um contra-ponto ao cientificismo (que o Positivismoconsagraria como filosofia), com sua certeza no progresso da Humanidade guiada pelo racionalismo materialista da Ciência.

O ponto de partida para o ressurgimento do Ocultismo na Inglaterra foi a publicação de “Magus” (1801), livro de Francis Barrett, que é basicamente uma coletânea de escritos ocultistas medievais e renascentistas. A esse livro seguiram-se os escritos do francês, Eliphas Lévi, e de Kenneth Mackenzie, cuja grande aceitação em círculos intelectuais pode ser entendido como uma reação (notadamente no final do século) ao Positivismo e ao cientificismo, que haviam transformado o Agnosticismo em palavra de ordem, exigível a quem pretendesse ser tido como pessoa culta e sintonizada com os valores “superiores” de seu tempo.

É nesse cenário que a Europa verá despontar o Kardecismo (e outras formas de Espiritismo) e que a russa Helena Blavatsky difundirá suaTeosofia, impregnada de Budismo tibetano e outros matizes da religiosidade oriental. É ainda nesse cenário que a Maçonaria multiplicará a quantidade de suas Lojas, atraindo artistas e intelectuais, e que a lenda rosacrucianista renascerá das cinzas, atestando que, mesmo quando confiante de resolver os problemas de sua vida na Terra, através da Ciência, o ser humano busca respostas para questões transcendentes, que se situam na esfera de sua vida espiritual, além do alcance científico.

O rosacrucianismo maçônico

É desconhecida a época em que graus rosacrucianistas começaram a ser usados na Maçonaria, mas é certo que pelo menos um grau rosacruz foi introduzido no Antigo e Aceito Rito(escocês) da Maçonaria britânica.

Na segunda metade do século XIX, o crescente interesse por temas rosacrucianistas levou um grupo de mestres maçons a criarem uma sociedade, especificamente dedicada ao seu estudo. Foi a Societas Rosicruciana in Anglia (chamada, abreviadamente, de Soc.Ros ou S.R.I.A), fundada em 1866 por Robert Wentworth Little, com a ajuda de Kenneth Mackenzie.

Dois membros destacados dessa Ordem (que só admitia mestres maçons em suas fileiras) viriam a ser os principais arquitetos da Aurora Dourada:

O terceiro nome ligado à criação da Golden Dawn é o do médico e maçom, Dr. William Robert Woodman.

O manuscrito cifrado

A Ordem Hermética da Aurora Dourada nasceu em 1888, reivindicando ser a verdadeira herdeira dos princípios de Christian Rosenkreuz (pai do rosacrucianismo), e supostamente amparada na autoridade que lhe teria sido concedida por uma antiga sociedade rosacruciana alemã, a Die Goldene Dammerung, através de uma misteriosa adepta, chamada “fräulein Anna Sprengel”, cujo nome secreto (iniciático) seria Sapiens Dominabitur Astris (O sábio será governado pelas estrelas).

Segundo a história contada por Westcott (e sustentada por Mathers), o Reverendo A. F. A. Woodford, um velho pároco muito conhecido nos círculos maçônicos, ter-lhe-ia entregue, em agosto de 1887, sessenta páginas de um manuscrito cifrado, cuja tinta marron desbotada lhes conferia uma aparência de antiguidade, escritas num código secreto inventado no Século XVI. Algumas folhas do manuscrito traziam uma marca d’água datada de 1809.

Westcott, que conhecia bem a literatura hermética, teria descoberto a chave para o alfabeto artificial e, ao traduzí-lo, descobriu tratar-se de esboços fragmentários de uma série de cincorituais e a estrutura hierárquica básica de uma organização iniciática. Em meio ao manuscrito, havia também uma carta de fräulein Anna Sprengel, conferindo-lhe um posto elevado naDie Goldene Dammerung e autorizando-o a instalar uma sucursal da Ordem alemã, na Inglaterra.

Pouco tempo depois, Westcott passaria a receber várias cartas de um secretário de Anna Sprengel, que se assinava Frater In Utroque Fidelis, fornecendo orientações adicionais para a abertura da primeira Loja (ou Templo) da Aurora Dourada inglesa, o Templo de Ísis-Urânia, cuja Carta de Autorização, assinada pela própria Anna, chegou por volta de março de 1888

Finalmente, uma carta, datada de 23 de agosto de 1890 e assinada por Frater Ex Uno Disce Omnes, anunciava a morte de fräulein Sprengel, e informava que Westcott não mais receberia qualquer outra comunicação da Alemanha.

A verdade é que toda essa história não passava de um embuste, conforme ficaria convenientemente demonstrado na obra de Ellic Howe, Descobriu-se, por exemplo, que a carta de autorização do primeiro templo fora forjada pela Srta. Mina Bergson (irmã do filósofo Henri Bergson), que viria a se casar com Mathers, em junho de 1890.

A descoberta da fraude foi um dos fatores que contribuíram para a ruína da Golden Dawn.

Sistema de graus

Hexagrama da Aurora Dourada

                                                                                             

Para se ter idéia do caminho místico que um membro da Aurora Dourada devia percorrer, é importante saber que toda sociedade oculta possui um conjunto de metas (ou ideais) representado por uma simbologia, e que o processo de domínio dessa simbologia é demarcado por uma série de graus, tendo cada um seu próprio Ritual.

O aspirante a membro da Aurora Dourada era admitido na condição de Neófito, na qual permanecia por algum tempo, recebendo ensinamentos básicos e sendo avaliado pelas autoridades da Ordem. Uma vez aceito, ele ingressava no Primeiro Grau, iniciando sua jornada de aprendizagem.

Os quatro primeiros graus constituíam o Círculo Externo da Ordem ou Primeira Ordem:

  • Zelator 1°=10
  • Theoricus 2°=9
  • Practicus 3°=8
  • Philosophus 4°=7

Ao completar o grau de Philosophus, o membro habilitava-se a ingressar no Círculo Interno ou Segunda Ordem que, a partir de 1892, tornou-se a Ordem da Rosa de Rubi e da Cruz de Ouro (Ordo Rosae Rubeae et Aureaue Crucis). Após passar pelo grau intermediário de Senhor dos Caminhos, no Portal da Cripta dos Adeptos (onde esperaria durante nove meses), o aspirante estava preparado para sua caminhada pelos graus do Círculo Interno:

  • Adeptus Minor 5°=6
  • Adeptus Major 6°=5
  • Adeptus Exemptus 7°=4

Embora, teoricamente, o caminhante pudesse atingir o 7°, o grau de Adeptus Minor era o máximo que qualquer membro conseguiria chegar. O 6° era, na prática, reservado aos fundadores da Ordem, enquanto no 7° estariam três Chefes Secretos, só conhecidos pelos seus lemas em Latim.

Havia ainda um Terceiro Círculo, ocupado por Chefes ainda mais Secretos, que, supunha-se, existiam apenas no Plano astral. Nesse Círculo cabiam três graus:

  • Magister Templi 8°=3
  • Magus 9°=2
  • Ipsissimus 10°=1

O conjunto de graus da Ordem, numerados do 10° ao 1° em ordem decrescente, referia-se aos dez sephiroth (emanações do Divino) na Árvore da Vida cabalística, com a adição do grau Neófito 0°=0

Rituais

                                                                                                     

Vestimenta ritualística da Aurora Dourada, grau de Neófito (Anxfisa)

Os rituais usados na Aurora Dourada foram elaborados, principalmente, por Mathers, que recorreu a várias fontes e conseguiu fundí-las de um modo tão harmonioso e eficaz que o sistema por ele criado sobreviveu à própria Ordem, tornando-se a matriz onde outras sociedades iniciáticas viriam a se inspirar. Seus ingredientes misturavam Cabala, Tarot, Alquimia, Astrologia e outras tradições.

Além dos rituais que eram executados no Templo, Mathers compôs sete rituais curtos que o iniciado podia realizar na privacidade de seu lar, para fins mágicos pessoais. Eles eram bem construídos graças ao profundo conhecimento que Mathers tinha do ocultismo, sendo impregnados de Poesia e Filosofia, produzindo efeitos profundos sobre o espírito humano.

O mais impressionante ritual concebido por Mathers foi o de acesso ao Círculo Interno (5°, Adeptus Minor), baseado na célebre lenda de Christian Rosenkreuz, conforme descrita em Fama Fraternitatis.

No interior do Templo, onde se realizava a Iniciação, as paredes eram decoradas com símbolos alquímicos, cabalísticos e astrológicos. No forro branco, via-se uma rosa com vinte e duas pétalas. No piso, havia uma cruz dourada unida a uma rosa vermelha de quarenta e duas pétalas. No altar, uma cruz preta com uma rosa de vinte e cinco pétalas. No centro do Templo, destacava-se uma Cripta representando o túmulo de Christian Rosenkreuz. A cerimônia era executada por três autoridades: um Adepto-Chefe e dois auxiliares.

No início da cerimônia, o aspirante ouvia um breve discurso sobre as virtudes da humildade. Em seguida, ele era amarrado a uma grande cruz de madeira e, nessa situação, devia fazer o juramento de levar uma vida pura e altruística, guardar segredo sobre a Ordem, sustentar a autoridade de seus mestres e dedicar-se ao Grande Trabalho.

Já solto da cruz, era-lhe feito um relato sobre a vida e a obra de Christian Rosenkreuz. Em seguida, ouvia de um dos adeptos auxiliares: “Você agora deixará o Portal por pouco tempo e, após seu regresso, será realizada a cerimônia de Abertura da Tumba”. Então, eram-lhe entregues um bastão e uma Cruz Ansata (Ankh) que lhe permitiriam reingressar no Templo.

Ao retornar, o aspirante percebia que o Adepto-Chefe desaparecera. Então, colocado diante da cripta, ele ouvia explicações sobre o significado dos símbolos gravados na tampa da cripta. E após ter feito vários outros votos, a tampa da cripta era aberta, revelando, em seu interior, o Adepto-Chefe que, deitado e de olhos fechados, falava sobre morte e ressurreição místicas, concluindo com uma exortação: “No alambique de teu coração, através da fornalha de aflição, procura a verdadeira pedra do Mago”.

A cerimônia se encerrava com o Aspirante recebendo explicações adicionais sobre o simbolismo usado no ritual.

Templos

Além do Templo de Isis-Urânia, que foi o primeiro, fundado em 1893, em Londres, a Golden Dawn instalou os templos (Lojas) de:

  • Templo Ahathoor, em Paris (França), em 1894.
  • Templo de Amem-Ra, na Escócia, em 1895.
  • Templo de Osiris, na Inglaterra, em 1895.
  • Templo de Thme, em Boston (Estados Unidos).
  • Templo de Themis, em Filadélfia (Estados Unidos).
  • Templo de Thoth-Hermes, em Chicago (Estados Unidos).
  • Templo de Horus, na Inglaterra, em 1900.

Sistema de ensino

  • O recrutamento de novos membros era feito na maioria das vezes por cooptação, através de um padrinho, que iria cuidar de sua evolução dentro da organização e de sua diligência nos estudos (uma prática herdada da Maçonaria).
  • A Grade de Estudos era bastante exigente em relação ao estudante, que, para passar de um Grau a outro necessitava provar seu domínio do Grau ao qual estava preste a abandonar.
  • Os membros da Golden Dawn eram todos respeitáveis pessoas da Classe Média. Alguns até podiam alegar origens aristocráticas. Um surpreendente número de médicos — não inferior a oito — entrou na Ordem antes de 1890.
  • O sistema da Golden Dawn era eminentemente simbólico e sintético, o que levou à necessidade de alicerçar este discurso numa linguagem que fosse eqüidistante dos sistemas ocultistas preexistentes. A linguagem do Tarot serviu para esse propósito.

 

Apogeu

                                                              

Samuel Liddel “MacGregor” Mathers, em costume egípcio, durante um ritual da Golden Dawn

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Em fins de 1891, mais de oitenta pessoas haviam ingressado no templo Ísis-Urânia de Londres, entre elas quarenta e duas mulheres. A Aurora Dourada, que era, essencialmente, uma criação de Westcott, desabrochava mornamente, seguindo uma existência quase monótona. Tendo Mathers, Westcott e Woodman (que morreria em dezembro daquele ano) como professores, eles seguiam um currículo elementar que incluía o estudo de assuntos como a Árvore da Vida cabalística, com seus Sephiroth e vinte e dois caminhos, Simbolismo Alquímico, Astrologia, Geomancia, e o Simbolismo dos vinte e dois trunfos do Tarot. Mas isso tudo não passava de um jardim de infância para candidatos ao Ocultismo.

A situação se modificou radicalmente no início de 1892, quando Mathers efetuou uma reorganização de longo alcance e conseguiu, em grande parte, suplantar Westcott, na condução da Ordem. Nessa época, ele apresentou um impressionante ritual 5°, para o primeiro dos graus da Segunda Ordem, e concedera à Segunda Ordem um status inteiramente novo. Agora, ela passava a ser a Ordo Rosæ Rubeæ et Aureæ Crucis (abreviada para R. R. et A. C.), tendo Mathers como seu único Chefe, e dirigida de Paris, onde ele se instalou, definitivamente, na primavera de 1892, enquanto Westcott se contentava em agir como Chefe Adepto, em Londres.

Daí em diante, a admissão à nova Segunda Ordem seria feita por meio de provas e de convites. A R.R. et A.C. era altamente secreta, não se permitindo aos membros da Ordem Exterior saber da sua existência, quem a ela pertencia, nem os endereços de suas sedes. E enquanto o currículo da Ordem Exterior era simplesmente teórico, os membros da Segunda Ordem recebiam instrução sobre a teoria e prática do cerimonial ou ritual mágico.

Além de elaborar o ritual, Mathers produziu um fantástico currículo para uma série de oito provas destinadas ao 5°. Quem passasse nesse teste podia afirmar que recebera uma instrução básica completa em quase todos os aspectos da tradição ocultista ocidental. A esse respeito, a Segunda Ordem representava o equivalente de uma universidade hermética. E era única.

Entre a primavera de 1892 e o final de 1896, a Ordem Hermética da Aurora Dourada viveu seus dias de glória.

Decadência

Não deixa de ser paradoxal que o principal responsável pela brilho da Aurora Dourada, tenha sido, também, o principal agente de sua ruína. Mathers era um homem extremamente talentoso, mas era também muito autoritário, e esse aspecto de sua personalidade viria a motivar conflitos com outros membros. No tempo em que Westcott ainda era o principal dirigente da Ordem, o clima interno foi mais ameno. Mas quando Mathers assumiu, de fato, o comando, os choque de personalidade não tardaram a se evidenciar. Instalado em Paris, ele exigia absoluta submissão das lojas inglesas à sua autoridade, conduta que logo gerou reações.

O primeiro conflito sério foi com a empresária de teatro, Annie Horniman, filha de um rico importador de chá, amiga íntima da esposa de Mathers, Moina Bergson, e benfeitora financeira do casal . A relação entre os dois deteriorou-se progressivamente e, quando Annie suspendeu a ajuda financeira, Mathers a expulsou da Ordem.

O golpe seguinte na estabilidade da Golden Dawn ocorreu em março de 1897, quando as autoridades legais souberam da ligação de Westcott com uma Ordem ocultista. Com seu cargo de Juiz de Instrução ameaçado, Westcott, que era um administrador capaz e entusiástico, afastou-se da Ordem que fundara.

 

Crowley em 1906.

A essa altura, o lugar deixado por Annie Borniman fora ocupado pela atriz Florence Farr, que também viria a se rebelar contra a atitude ditatorial de Mathers. Este, por seu turno, suspeitando que ela conspirava para trazer Westcott de volta ao comando da Ordem, revelou a fraude das cartas de Fräulein Sprengel, dando a entender que fora obrigado, por Westcott, a guardar segredo. A revelação caiu como uma bomba no seio da Aurora Dourada, abalando sua credibilidade e provocando o afastamento de vários membros.

Para completar o quadro de ruína, Aleister Crowley – um homem de grande saber ocultista, mas de reputação duvidosa – ingressara na Ordem e, com menos de um ano de filiação, pleiteara sua admissão ao Círculo Interno. Tendo seu pleito rejeitado, Crowley aproximou-se de Mathers e, conquistando sua confiança, conseguiu que ele o iniciasse à Segunda Ordem, em Paris. Essa iniciação não foi reconhecida em Londres, e pela primeira vez Mathers se viu diante de uma revolta total. A disputa atingiu o auge no inicio de abril de 1900 quando Crowley, depois de uma longa conferência com Mathers, retornou a Londres com plenos poderes para agir como seu Enviado Extraordinário. Vestido com um traje completo de montanhês escocês e uma máscara preta, ele tentou tomar posse do templo onde se encontrava a cripta (local em que processava o ritual de iniciação à Ordo Rosæ Rubeæ et Aureæ Crucis).

                                                                               

Arthur Edward Waite

O plano Mathers-Crowley foi frustrado, em grande parte pela vigilância de W. B. Yeats e de um punhado de membros, que assumiram o controle da situação. A comédia terminou com os membros londrinos expulsando Mathers e Crowley, e também alguns outros de lealdade duvidosa. Yeats logo assumiu o comando e fez o melhor que pôde para manter a paz durante um ano, mas acabou desistindo e renunciando a qualquer ligação muito ativa com a Golden Dawn, em fevereiro de 1901.
A Ordem original começou a fragmentar-se, com alguns membros se desligando e fundando suas próprias sociedades ocultistas. No início de1903, um grupo liderado por A. E. Waite assumiu o comando e imprimiu à Aurora Dourada uma nova direção, tornando-a menos mágica e mais mística. Essa mudança foi o golpe de misericórdia na Ordem criada por Westcott e Mathers.

Atualmente, algumas organizações ocultistas alegam ser a continuidade da Golden Dawn. Mas nenhuma delas conseguiu restaurar o brilho desse que foi o mais impressionante fruto da árvore rosacrucianista na Europa.

Grandes Mestres

  • de 1888 à 1891 – William W. Westcott, Samuel L. McGregor Mathers, William R. Woodman
  • de 1891 à 1900 – William W. Westcott, Samuel L. McGregor Mathers
  • de 1900 à 1901 – William W. Westcott
  • de 1901 à 1903 – William B. Yeats
  • de 1903 à 1905 – Arthur E. Waite

Membros conhecidos

Ramificações

Estas são algumas organizações ocultistas que proclamam ser herdeiras da célebre Golden Dawn:

Notas

  1.  O Dogma da Correspondência de Lévi, de inspiração hermética, sustenta que a alma do ser humano é um microcosmo, que reflete, em miniatura, o macrocosmo, ou o grande universo do qual fazemos parte. Cada fenômeno do universo tem seu reflexo correspondente na alma e, com práticas ocultistas, o mago pode transformar o mundo exterior por meio de intervenções no pequeno mundo interior.
  2.  Elaborada no século XVI por John Dee, astrólogo real da corte de Elizabeth I, rainha da Inglaterra.
  3.  O criador do código seria o Abade Johann Trithemius (1462-1516)”
  4.  Grande Trabalho: “Purificar e exaltar minha Natureza Espiritual, para que possa, com a Ajuda Divina, conseguir ser mais do que humano e assim, unir-me ao meu Divino Gênio, e não abusar do grande poder que me é confiado”
  5.  A cruz egípcia da vida, tornada um dos símbolos do culto a Aton, implantado pelo faraó Akhenaton
  6.  Pode-se dizer que a invenção do Tarot, tal como o conhecemos hoje, foi uma obra da Golden Dawn.
  7.  Há pelo menos a possibilidade de que Mathers tenha vazado essa informação às autoridades, para afastar Westcott de seu caminho
  8.  “O mais impressionante fruto que cresceu da árvore rosacrucianista foi, sem dúvida, a Ordem Hermética da Aurora Dourada” – Christopher McIntosh, Obra citada, p. 115 (Ver em Bibliografia).

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